O número de apoiadores do Santuário dos Pajés cresce a cada dia. Hoje mesmo tinham dezenas de pessoas se revezando para conter as máquinas. Estão indignados com a forma que esta situação tem sido tratada ao longo dos anos por governos, mídia e empresários. Uma verdadeira afronta aos direitos dos cidadãos e dos indígenas. São muitos argumentos favoráveis para a luta em defesa do Santuário dos Pajés. O laudo antropológico, que segundo a Constituição Federal e Supremo Tribunal Federal (STF), é o que consiste para definir a demarcação da terra indígena, vide caso Raposa Serra do Sol, em Roraima. O laudo é o primeiro passo para constituição do Grupo de Trabalho que a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) tarda em começar. Ele está amparado pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e várias outras comunidades indígenas e de movimentos sociais.
As últimas decisões da justiça referente ao caso demonstram total parcialidade do judiciário. A decisão da Juíza Clara Mota Santos do dia 13 de outubro serviu para esclarecer a falta de vontade política da FUNAI em constituir o GT e procurar saber os porquês de não reconhecer o citado laudo. Para isso, ela determinou que fossem respeitados a dimensão de 50 hectares para os indígenas e convocou uma reunião para o dia 27/10. No dia seguinte a empresa João Fortes descumpriu a decisão e quem teve que colocar eles pra fora foram os indígenas e os apoiadores diante os olhos da Polícia Militar do DF e da omissão da Polícia Federal. A polícia em geral sempre está presente para se fazer cumprir a vontade das empresas. Não fizeram nada quando funcionários da empresa de segurança, Snake, contratada pelas três construtoras (Emplavi, Brasl e João Fortes), o exército das construtoras, agrediu os apoiadores com cacetetes, armas de choque, sprays de pimenta e muita violência contra as mulheres.
Para complicar mais a situação, a Desembargadora Selene Maria de Almeida, solta uma decisão que continua a defender o direito indígena mas se contradiz ao defender também os interesses das construtoras continuarem as obras onde já invadiram. Como pode o judiciário brasileiro ser tão influenciado por empresas do ramo imobiliário? Este fato ajuda o imaginário brasileiro de que a justiça só funciona para o lado financeiro. Agora não se sabe ao certo como será a reunião convocada para o dia 27/10 já que a justiça permite tamanha arbitrariedade. Vale lembrar que os advogados que têm conseguido tais feitos são os sócios Nader Franco e Antonio Gomes (ele mesmo!), ex-presidente da TERRACAP no governo Arruda, que em sua gestão licitou terrenos do Setor Noroeste e, em 2008, tentou aliciar os indígenas para saírem de suas terras. Como um ex-funcionário de um governo comprovadamente corrupto tem tamanho respaldo no Judiciário?
O fato é que a presente luta é contra a corrupção instalada desde o governo Arruda e Paulo Octávio. Afinal, foram eles que inauguraram o Setor Noroeste, aprovado de forma ilícita, através, do Plano Diretor das Cidades-PDOT, onde deputados distritais receberam propina para aprová-lo. E o governo atual, ao invés de apurar os fatos através da Secretaria de Transparência, do Dep. Paulo Tadeu, e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, do Dep. Magela, fazem totalmente ao contrário investindo pesado em publicidade por toda cidade do Setor Noroeste, a fajuta ecovila destruidora do cerrado, de luxo. A apatia do governador Agnelo que ainda não se pronunciou diante o caso é vergonhosa e pode colaborar para queda de sua imagem, já que pode estar envolvido em outros esquemas de corrupção. E estas pessoas ainda representam os trabalhadores. Que vergonha.
Defender o cerrado, que está lindo nesta época, com toda sua diversidade e capacidade de se recriar diante a pressão urbana, gritar por justiça diante a criação deste bairro que traz desgraça para maioria da população, e fazer valer os direitos da comunidade indígena Santuário dos Pajés é nossa missão. Todo aparato jurídico e busca de apoio por órgãos institucionais estão sendo diariamente buscados pelos indígenas e apoiadores para fazer valer a justiça. No entanto, diante os fenômenos da hipocrisia candanga mais que isso deve ser feito. A mídia em geral divulga o Setor Noroeste como algo positivo para o setor econômico da cidade. Nos próximos dias vamos conter as máquinas e evitar o desmatamento de no mínimo 50 hectares aos indígenas, quando se a justiça estivesse valendo de verdade toda área deveria ser um parque.
Todos os dias vigília às 06:00 no Santuário dos Pajés. Levar água e tambores. Compareça amanhã (quarta) e faça parte desta rede pela paz! Acompanhe as postagens para maiores informações.
Imagens de hoje 25/10.



Abaixo-assinado pela demarcação do território indígena do SANTUÁRIO DOS PAJÉS
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