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Pequena Crítica do Palimpsesto Urbano de Brasília

Uma breve história étnica contemporânea do Santuário dos Pajés

 Os Tapuya-Fulni-ô não são originários de Pernambuco

Uma resposta para Artigos

  1. Rodrigo Reis Rodrigues disse:

    Carta de um paulista amante ardoroso da natureza, do cerrado e dos povos indígenas ao Santuário dos Pajés

    Pessoal, sou de São Paulo, tenho parentes em Brasília. Estivesse eu em Brasília estaria diariamente na luta junto com vocês. Percebo que esta luta é muito desigual – Índios, estudantes e demais solidários contra o poder da ganância econômica e política. No entanto a luta pode se tornar um pouco menos desigual se a informação completa dessa sujeira chegar aos compradores dos apartamentos, que é quem está pagando pela sujeira. Com empreiteiras não se tem diálogo, só embate e repressão. Com cada comprador, que é gente como nós, é possível um diálogo.

    Há demandas de ação em qualquer resistência que devem ser coletivas, via rede social, via grande imprensa, passeatas, manifestações. Mas há outras demandas em que a ação deve ser individual, o antigo boca-a-boca pode fazer uma revolução. Isso é infiltração, movimento sutil, suave, quase silencioso, que vai espalhando virulência e contágio até que de repente, esse movimento minúsculo é chave que abre uma porta, que se torna estopim para uma crise. Este é momento que a boca tem que gritar e se reunir coletivamente pra fazer barulho. Não é somente com embates – força maior contra força menor – que se resiste. Mas também com alianças, sobretudo com quem está aparentemente do lado de lá, mas que na real foi é enganado. E este é o cliente-comprador que acredita estar adquirindo um empreendimento totalmente ecológico. Empreiteiras convocam um batalhão preparado para uma guerra, mas não imaginam que também se trata de uma guerrilha.

    É certo que muitos compradores não estão nem aí. Os escrotos podem até se posicionar a favor do massacre cultural contra os indígenas, simplesmente para defender seus interesses pessoais. Mas uma parte não sabe da invasão e do desrespeito ao santuário. Não sabem que a verba pública está servindo para defender interesses privados, como é o caso da mobilização de um corpo policial enorme. Assim é possível alguns deles venham a se informar, assumindo uma posição de questionamento diante das construtoras, podem entrar com processos, declarando propaganda enganosa, além de crime ambiental e étnico e exigirem seu dinheiro de volta.

    Tenho ideia para duas estratégias possíveis, tendo como alvo o cliente-comprador:

    Buscar jornais menos manipulados e sugerir uma pauta de reportagem que tenha como personagem ‘compradores enganados’, que pensaram se tratar de um projeto ecológico e na realidade se trata de um crime ambiental, cultural, histórico, étnico sem tamanho. Na pauta devem colhem informações de pessoas do movimento, principalmente representantes legais que junto aos clientes pedem explicações para a empreiteira sobre suas atitudes. O importante é que a polêmica alcance os compradores. Isso mobiliza um tanto a opinião pública e a luta se torna menos desigual. Jornais impressos, rádios e tvs precisam concordar em publicar essa matéria-denúncia e pedir explicações para a empreiteira. A empreiteira deve ser convidada a se explicar para os compradores. Vai pegar muito mal, em pleno século XXI, esse massacre branco à cultura e ao espaço indígena, depois de 5 séculos de repetição. As publicações na imprensa devem ser espalhadas para o maior número de pessoas possíveis. A que se mandar para toda sua rede e para toda sua lista de e-mails.

    Outra estratégia seria o contra-markenting. As empreiteiras que compraram os lotes estão ávidas pelo lucro e estão vendendo estes lotes agora mesmo com marketing ecológico enganoso. Descobrir quais são os pontos de venda dos aptos, as agências bancárias que financiam, que em finais de semana ficam lotados de compradores. Fazer panfletagem, divulgando a verdade, contendo links para os sites do Santuário, colar cartazes próximos aos pontos de venda. Abordar um a um que entra para comprar. O marketing ecológico se utiliza de imagens e falácias de linguagem sedutoras, agradáveis e politicamente corretas para vender seus produtos. Material com chamadas do tipo: “Você pretende comprar um imóvel da Construtora X no setor Noroeste? Então saiba que… (e fale tudo)”. E criar imagens muito negativas como: “Você vai morar sobre um santuário (cemitério) indígena, sobre um sítio arqueológico e patrimônio histórico destruído”. Contra marketing família-feliz: “Se a sua família será feliz aqui saiba que isso custou a infelicidade de famílias que preservavam a cultura indígena e foram violentamente expulsas pela força policial das construtoras”. Ou seja, é jogar praga e semear a desgraça em quem compactua com isso tudo.

    Deve-se esperar o óbvio: as construtoras vão enviar comunicados para todos os clientes, dos quais ela já possui um cadastro, com todo tipo de argumento novamente enganoso, parcial, tendencioso, além de tentar depreciar o movimento pró-santuário de todas as formas, sempre o ligando a coisas condenáveis para a sociedade: drogas, índios alcoólatras, estudantes revoltados, ongs estrangeiras que querem tomar o Brasil, etc… é muita podridão nesse meio. É total falta de escrúpulos, de ética, de qualquer coisa que seja digna. E tem cliente que com uma respostinha ridícula, se conforta e da andamento ao negócio.

    Como saber quem são os compradores?

    Algum comprador que seja acessado pelo movimento pode topar ser personagem nas pautas, e isso seria suficiente para muitos outros se tornarem cientes da gravidade da situação. É bem possível que os compradores componham uma rede de interesses e de afinidade social. É um tipo de resistência que come pelas beiradas na procura de pessoas, familiares, parentes de clientes-compradores. A UnB pode ser uma via de circulação. Certamente muitos estudantes, professores, funcionários dali tem familiares e amigos que compraram. Investigação é também uma estratégia de resistência.

    Será que cada um de nós não conhece ao menos um que comprou ou inclusive está analisando comprar um desses apartamentos, tão divulgados? Sempre tem um tio, tia… Os pais de um amigo… Um amigo de amigo… Oras, muitas pessoas compraram esses apartamentos e outras tantas visitam aqueles stands que vendem os apartamentos restantes com a intenção de comprar… Se a informação e conscientização chegam a essas pessoas, não seriam eles ou pelo menos alguns, uma força a mais nessa luta?

    Espero ter colaborado de alguma forma, mesmo que tão distante. Estou com o Santuário. Rodrigo Reis Rodrigues.

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